Eu estou fazendo outros bichinhos
Galinhas, leozinhos e elefantinhos
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Quando a inspiração some....
Pois é, pra quem me segue e anda sentindo minha falta vou mostrar que quando falta inspiração eu enfio a cara no artesanato, hehehehe.
Além dos sachês eu estou fazendo chinelinhos pantufas ( ainda não fiz foto, pq ainda estou aprendendo, depois eu mostro) patch colagens e patchwork. O detalhe é que estou fazendo sem curso, só olhando nos blogs e aprendendo de olhar.
A minha caixinha de frutas que virou objeto de decoração
Assim que parte da colcha de fuxicos ficar pronta eu mostro.
O certo mesmo é que não estou parada e meu blog vai ter mais que poesia, rs.
Beijokasssssss
Além dos sachês eu estou fazendo chinelinhos pantufas ( ainda não fiz foto, pq ainda estou aprendendo, depois eu mostro) patch colagens e patchwork. O detalhe é que estou fazendo sem curso, só olhando nos blogs e aprendendo de olhar.
A minha caixinha de frutas que virou objeto de decoração
Assim que parte da colcha de fuxicos ficar pronta eu mostro.
O certo mesmo é que não estou parada e meu blog vai ter mais que poesia, rs.
Beijokasssssss
sábado, 20 de agosto de 2011
Por amar-te
Tornei-me uma mulher inteira
Me entregando em rasgos
Pronta para teus afagos
Tua amante bandoleira
Por amar-te virei consolo da lua
Arrebentei nas cheias das marés
Lambendo tua pele nua
Beijando teus pés
Por amar-te
Na extensão dos teus mares
Tracei o leito dos meus rios
Por amar-te
Tornei-me revoada nos ares
Ventanias e arrepios
Teu encarte
Na linha do horizonte
No cume do despenhadeiro
Teu absurdo errante
Teu amor inteiro
Desagüei nos teus rios
Vórtices da minha paixão
Segredos dos meus cios
Meu encharcado coração
Me entregando em rasgos
Pronta para teus afagos
Tua amante bandoleira
Por amar-te virei consolo da lua
Arrebentei nas cheias das marés
Lambendo tua pele nua
Beijando teus pés
Por amar-te
Na extensão dos teus mares
Tracei o leito dos meus rios
Por amar-te
Tornei-me revoada nos ares
Ventanias e arrepios
Teu encarte
Na linha do horizonte
No cume do despenhadeiro
Teu absurdo errante
Teu amor inteiro
Desagüei nos teus rios
Vórtices da minha paixão
Segredos dos meus cios
Meu encharcado coração
sábado, 30 de julho de 2011
OLHARES DE SERPENTE
Moram meus sonhos aquecidos.
Na boca ansiosa de teus beijos;
Moram meus infinitos desejos.
Não me provoque a libido;
Perco o senso e o sentido,
Vou muito além do infinito
E me provarás em cada grito...
Mas se apostas na eternidade,
Nas esperanças sem saudade;
Dentro dos meus braços amantes
Nada, nunca, será com antes.
Teus olhos cruelmente indecentes;
Se fartarão nos verdes atraentes
Do meus, docemente bandidos;
Donde nunca mais serão banidos...
E no abraço das horas vertentes,
Onde nos enlaçamos qual serpentes;
Fundimos nossa essência audaz
Afogando a nossa sede voraz
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Entre um dia e uma noite
Dei-te horas inteiras, e me devolveste minutos apenas...
Dei-te meus sorrisos fartos, e com semblantes fechados, me presenteaste...
Porque me deste dosados carinhos, se em torvelinhos me doei ?
Olho para o relógio das lembranças, ficou parado há tanto tempo, que já nem me lembro mais; talvez em algum dia quando ainda me querias.
Falta-me tempo para recompor as peças desse quebra-cabeças que somos nós, fragmentos espalhados que mal consigo encontrar, tão poucos e se espaçaram tanto.
Tenho vivos em mim, espetados na carne, os estilhaços das conversas atravessadas, das dúvidas, nunca explicadas...Incomodando tenho as separações com ásperas palavras, olhares não trocados, porque desviaste para outras direções, enquanto eu tentei outras sugestões...
Engraçado que, embora tenha na boca um gosto amargo, e saudades de ter de ti lembranças, estou em paz.
Olho a chuva pela vidraça e deitada nessa cama tão vazia de ti, sinto um misto de alívio e frio, abraço meu corpo e acarinho meus cabelos como antes nunca tivera feito, não, não dessa forma sensata, sabendo exatamente o que quero, fecho os olhos e deixo a mente vagar.
Há dias que sei que vou me rasgar, teu fantasma vai me rondar, nesses dias sei que vou regar a solidão dos meus ponteiros com lágrimas quentes, mas juro, que jamais saberás; porque entre um dia e uma noite hei de morrer e renascer tantas vezes quanto carecer.
Dei-te meus sorrisos fartos, e com semblantes fechados, me presenteaste...
Porque me deste dosados carinhos, se em torvelinhos me doei ?
Olho para o relógio das lembranças, ficou parado há tanto tempo, que já nem me lembro mais; talvez em algum dia quando ainda me querias.
Falta-me tempo para recompor as peças desse quebra-cabeças que somos nós, fragmentos espalhados que mal consigo encontrar, tão poucos e se espaçaram tanto.
Tenho vivos em mim, espetados na carne, os estilhaços das conversas atravessadas, das dúvidas, nunca explicadas...Incomodando tenho as separações com ásperas palavras, olhares não trocados, porque desviaste para outras direções, enquanto eu tentei outras sugestões...
Engraçado que, embora tenha na boca um gosto amargo, e saudades de ter de ti lembranças, estou em paz.
Olho a chuva pela vidraça e deitada nessa cama tão vazia de ti, sinto um misto de alívio e frio, abraço meu corpo e acarinho meus cabelos como antes nunca tivera feito, não, não dessa forma sensata, sabendo exatamente o que quero, fecho os olhos e deixo a mente vagar.
Há dias que sei que vou me rasgar, teu fantasma vai me rondar, nesses dias sei que vou regar a solidão dos meus ponteiros com lágrimas quentes, mas juro, que jamais saberás; porque entre um dia e uma noite hei de morrer e renascer tantas vezes quanto carecer.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Roubo de textos e não de talento!
Será que algum dia vou receber na minha caixa postal uma prosa minha toda maquiada e com um nome que não é o meu? Quem sabe...
Eu leio tantos Quintanas que são Martha Medeiros, tantos Veríssimos que nem passam perto do cronista bem humorado. Parece que nesse mundinho virtual em que não se olha nos olhos é muito mais fácil "tomar" um texto de um autor e assinar como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, ou simplesmente fazer uma "adaptação" para deixar o texto mais suculento, mais parecido com a verve, ou o gosto de quem se apodera. Mas olha que acabo de derrapar nas minhas próprias palavras, porque deixar mais parecido com a verve de quem se apodera estou sendo generosa com esse "autor", que de autor não tem é nada.
Com o surgimento da net, vieram a tona uma gama imensa de autores que andavam escondidos, muitos talentos se revelaram, e muitos estão chegando, por aqui, muitos já aparecem prontos para serem consumidos e outros tantos vão se aprimorando, nessa troca gostosa de informações e estilos.
Mas é aqui mesmo onde as águas jorram com maior intensidade e sem nenhum pudor, por que a grande maioria nunca teria a oportunidade de ser lido, não fosse pela net, é que acontecem as maiores injustiças, e por que não dizer, a maior covardia?
Um autor quando escreve um texto, como esse que estou escrevendo, para tudo o que está fazendo e se dedica exclusivamente a escrever essa mensagem, que pode ser uma poesia, uma crônica ou um conto, e nesse tempo precioso em que ele se dedica à essa tarefa, não está ganhando nada (se for na net) a não ser a satisfação de estar produzindo algo que quer dividir com outras pessoas. O autor está se doando para uma comunidade, um grupo, pelo único prazer que lhe move: escrever. Infelizmente, paralelo a isso, existem os "autores" que não tendo a verve tão profícua, se apossam dos textos de outrem, maquia um pouco, coloca seu nome em destaque e repassa...é tão triste pensar que esse autor, que não tem escrúpulos ronde a net e como um predador avança em cima do trabalho de um colega e o roube para se tornar também um escritor, ou um formatador.
Um escritor não produz só um texto, ele pode não produzir em quantidade, mas a inspiração é dele para cada texto que escreve. Ainda que esporadicamente, e por mais lesado que esse escritor possa ser, não lhe roubarão senão textos, nunca a sua capacidade de produzir novos textos e cada vez melhores.
Tenho cá comigo, que cada texto tem como disse uma amiga, o DNA de seu autor, em sendo assim, mais dia menos dia o confronto é inevitável, pois quem lê e aprecia o texto de um autor e dele fica sendo assíduo leitor, consegue perceber quando um texto desse mesmo autor foi cruelmente alterado. A linguagem de cada um e seu estilo o tornam inconfundível nos meios por onde ele circula, e é um engano terrível pensar que maquiar o texto de algum escritor, faz do pretenso autor da barbárie, um escritor também.
Há em cada um de nós um talento a ser descoberto, ou vários, e quem perde seu precioso tempo, adulterando textos, ou maquiando imagens de seus colegas ou de pessoas que tem esse dom naturalmente, perde um tempo valioso em que poderia estar estar descobrindo seus próprios dons ou desfrutando dos privilégios que esses dons lhe conferem.
Não me importo em ser lida por todos, mas quero chegar ao que realmente falam a mesma linguagem que eu, tanto no coração quanto na razão, e se algum dia alguém roubar um texto meu, quero que saiba que; não terá roubado o meu talento, pois esse é o meu dom, e da mesma forma que produzir esse texto posso produzir outros tantos, por que minha veia é inesgotável. Graças a Deus não sou uma fraude, assino tudo que escrevo sem medo, por que assumo cada palavra que digo.
Estou postando pq um engraçadinho roubou um texto meu.
domingo, 8 de maio de 2011
Dia das mães!!!
Embora dia das mães seja todos os dias, alguém resolveu nos dar um dia especial que consta da folhinha, e do calendário de todas as lojas; para que os filhos pudessem gastar seu dinheirinho comprando um presente pra limpar a barra com a mamãe. Aqueles que não tem dinheiro para comprar nada abraçam beijam e dizem "eu te amo", mesmo que seja para cumprir tabela.
Não, eu não duvido que ame, mas quem disse que precisa dia para abraçar a mãe ou para dizer : eu te amo?
Nós mães fazemos isso todos os dias quando preparamos a comida, quando cuidamos com carinho de suas roupas para que fiquem limpinhas e cheirosas.
É claro que não precisa babar em volta da gente, nós percebemos o quanto tem de obrigação esses gestos exagerados nesse dia, mas não deixem por favor esse dia passar em branco, sem um telefonema, um gesto carinhoso, porque embora a gente insista em dizer: não precisava...Vamos ficar muito tristes se constatarmos que nossos filhos não dedicam a nós nem um minutinho do seu dia.
Dificil entender as mães não é? Pois é, a gente fica tão sensível quando se diz que esse dia é só para as mães que acabamos por ficar derretidas, mesmo quando dizemos que isso é uma bobagem e que nosso dia é todos os dias.
O peso da data acabou por incorporar nosso calendário também porque para onde quer que olhamos vemos referências; seja no encarte do supermercado, nos autdoors, nas propagandas de tv e em todos os lugares possíveis se vê mães estampadas como garota propaganda!
Assim, se preciso mesmo de uma data para que notem a importância da minha existência como tal, porque ficou tão banal receber de mão beijada todo conforto que posso proporcionar aos meus filhos; quero-o com toda pompa e honra que possa merecer.
Quero comida pronta, ou almoçar num bom restaurante onde haja comida limpinha e bem feita, como a minha, então filhos queridos nada de encher minha casa para o almoço! Antes que me joguem na cozinha cozinhando para um batalhão lembrem-se que o dia das mães é para dar alegria para essas míseras mortais e se eu disser que fico feliz nesse dia passando parte dele com a barriga no fogão e na pia, podem acreditar que minto, afinal faço isso o ano todo.
Já que a data está instituída, vou gozar dela como posso e quero, terei um dia só meu e não adianta quererem me colocar no molde de mamãe padrão. Estou indo curtir o meu dia das mães me divertindo por aí!
Estão rindo de quê? Se tivesse o dia dos filhos, o que vocês fariam?
Fui....
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Sonhos estridentes
Por que insistem em me acordar os sonhos?
Por que ainda me inquietam tanto?
Se deveriam me embalar risonhos;
Recostarem o corpo n'alma sem pranto!
Ah! Meus sonhos livres sem fronteiras!
Sacodem e me atordoam o espírito,
Reviram as ilusões costumeiras,
Desassossegam o corpo contrito.
Presos a um silêncio onírico,
Apascentariam a alma romântica;
Não fosse a razão avessa ao lírico.
Sonhos haverão dentro da quântica,
Onde a razão sempre vence o empírico?
Sonho e romantismo dirá a semântica!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
As estrelas de Bilac
Angélica T. Almstadter
Ando tonta por não percebê-las,
Brilham atônitas no infinito;
Serão tuas ou minhas estrelas?
Muita vez, ao vê-las, solto um grito!
Seu brilho a ele deram sem pejo,
A nós sobrou somente o que fica;
Reflexo a azular o feio brejo,
Bilac com a magnífica!
Tu merece por certo a glória;
Tu louvaste primeiro afinal
O esplendor da merencória,
Do que a nós parece irreal,
Deus consagre a memória
De Bilac; poeta imortal!
(mais um fruto da semana Olavo Bilac do Ateneu)
Ando tonta por não percebê-las,
Brilham atônitas no infinito;
Serão tuas ou minhas estrelas?
Muita vez, ao vê-las, solto um grito!
Seu brilho a ele deram sem pejo,
A nós sobrou somente o que fica;
Reflexo a azular o feio brejo,
Bilac com a magnífica!
Tu merece por certo a glória;
Tu louvaste primeiro afinal
O esplendor da merencória,
Do que a nós parece irreal,
Deus consagre a memória
De Bilac; poeta imortal!
(mais um fruto da semana Olavo Bilac do Ateneu)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Estrelas não ouço!
Não Bilac, não ouço tuas estrelas,
não que com elas não converse.
Há muito tento ouví-las, entendê-las;
acho que minha prosa de nada serve.
Amar talvez não tenha aprendido;
não de fato, para ouvir estrelas,
diria que por certo tenho esquecido
de acarinhar a alma para merecê-las.
Ora direis ouvir estrelas! Invejo-te!
Tão distantes dos meus olhares;
não ouço ruído sequer! Rogo-te!
Dá-me um tanto de teus sentires
para que um dia; eu as ouça. Peço-te!
Caso contrário meu chorar hás de ouvir!
(fruto da Semana de Olavo Bilac no Ateneu)
terça-feira, 5 de abril de 2011
A Intrusa
Ela chegou toda faceira, olhou para um lado para o outro e me encarou. Muito desaforo da parte dela, ficou se achando o ovo da marmita, passeando pra lá e pra cá, como se meu quarto fosse dela.
Eu observando ela e ela a mim. Ô criatura desenvolta, nem tava aí pra mim, pôs aquelas patinhas cheias de pelinhos na minha frasqueira, ai meus creminhos; quanto atrevimento!
Eu ia e vinha suando frio, e ela dona absoluta do pedaço. Cadê que eu conseguia assistir a alguma coisa na TV, meus olhos ficavam pregados naquela doninha xereta, que andava pra todo lado, cheia de pose. Enquanto eu não conseguia sair de dentro da toalha pra apanhar alguma roupa; ela me exibia aquelas asinhas brilhantes, eu nem chegava perto dos meus sapatinhos... e ela balançando as anteninhas, ligadíssima na minha aflição.
Quando eu me enchia de coragem e avançava sobre ela, ela zombava da minha pouca habilidade e pra que eu não me sentisse muito deprimida ela se escondia e deixava que eu me vestisse e até dormisse algumas horas. Só que nossa guerrilha pelo quarto reiniciava toda manhã, eu de um lado refeita e pronta pra lutar pelo meu espaço, e ela soberana voando acima da minha cabeça. Covarde! Não descia à minha altura pra me encarar de frente.
Francamente eu já não estava mais suportando ela doidona com o sprays que eu dava pra ela cheirar, eu passando mal e ela zureta, mais acesa do que nunca.
Foi num desses dias em que eu estava de TPM que resolvi montar guarda de longe, saia e deixava ela se sentir a dona do meu quarto, podia subir e descer, e eu aproveitava da minha insanidade temporária pra elaborar a minha vingança. Enquanto elazinha se deleitava nas minhas macias e cheirosas coisinhas, enquanto ela usava e abusava da minha intimidade (que ódio!) eu engendrava o meu ataque.
E foi quando ela achou que eu havia desistido, que ela já podia casar e ter filhotinhos morando no meu quarto que eu entrei de mansinho porta adentro na pontinha dos pés, sangue frio, e suando frio ( isso ela não sabia) fingindo que estava tudo bem,e não tinha notado aquela babaca. Disfarcei e voei de vassoura sobre ela, num ataque ordenado, um bombardeio de vassouradas, como se fosse aqueles ataques dos homens bombas prontos pra matar e morrer! Ela bem que tentou reagir, e voar na minha direção como sempre fazia pra me intimidar, mas eu fui mais rápida que ela e não dei tempo dela armar o vôo, derrubei-a como se derruba um caça e disparei sobre ela toda a minha gana.
A paz voltou, mesmo com tudo fora do lugar, a cama no meio do quarto, livros e cds espalhados, papéis, apostilas e sapatos sobre a cama, sentei e apreciei com satisfação o cadáver daquela intrusa barata voadora bem à minha frente, no chão.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Desapego
Um pouco a cada dia, solenemente,
Intensamente em cada hora
Morro. Com satisfação e gozo.
Delinqüente sobrevivente que sou
Antevejo a epopéia do desenlace,
Sufocada na agonia.
Alma túrgida de funestos desejos,
Abraço em desespero o caos
Que antecede o silêncio sepulcral.
domingo, 3 de abril de 2011
Fácil, Táctil e Fútil
Redesenhado por um desejo fácil
Entrou pelos poros descobertos,
Pretendia aquela vida frágil
De muitos sonhos encobertos
Amor cáustico de lavras fúteis.
Entre meus olhos tristes flertou
Provocou tantas emoções inúteis
E sem adeus, o mundo ganhou.
Maria-sem-vergonha sempre trazia
Nas mãos vazias de paixão,
Transpirava uma vida fria.
Tão logo me compreendeu;
Bocejou angústias pífias
Virou a página e se escafedeu.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Olhos
Foto : Olhar - Douglas Nascimento
Há olhos cravados
nas paredes
na rua,
no chão.
Não há olhos
de ler,
de chorar
a cura, a alma pura.
Olhos rodeiam
a imensidão
sem nada ver.
Nas órbitas tristes
de um branco sem fim
moram os olhos
de uma vida.
A vida inteira
se percorre
pelos olhos;
e o olhos vida afora
percorrem a vida.
Morre-se
sem dos olhos
entender a razão.
Sem deles
ter impresso a paixão
a tristeza dos dias,
o sorriso
ou a dor.
domingo, 20 de março de 2011
estrela artificial
uma estrela solitária
que brilha e brilha
longe dos olhos da razão
outrora meiga e solidária
de luz, acercada ilha
alegrava meu coração
outras galáxias hoje habita
visitando belos cometas
na realeza do universo
na solidão das crises se agita
na ilusão dos betas
na teoria do reverso
entre fótons e cósmica poeira
se afasta da mãe Gaia
prepotente estrela primeira
seu brilho audaz se esgueira
na ressonância primária
impressa na antiga soleira
sexta-feira, 18 de março de 2011
Engasgado
Angélica T. Almstadter
Um sonho engasgado, dormiu no meu peitoTantas pontas tinha o danado;Que me fez em tiras, o peito dilacerado.Dentro desse sonho perfeito,Guardei desejos desesperados;A fala rouca, a fina flor expostaEm camadas mutiladas de saudade.Doeu tanto que cresceu arranhado,Apertado e sem proposta.Quando me acenava de felicidade,Na poça de sangue derramado;Brindei com um aceno breve,Cerzi os rasgos com coragemE bem antes que recobre a razão,Me espalho em pedaços na brisa leve;Meu prenúncio de estiagem,Recheado com acessos de solidão.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Acolhida
Calo-te com o calor da minha boca
Com o abraço solitário da minha ternura;
Nunca houve tanta verdade
Em tão pouco silêncio.
Um vale de sentimentos que transborda
Uma ponte que não encontra o outro lado
E um imenso borbulhar de sons
Dentro desse vazio de pessoas e gestos.
Eu desenfreada angústia,
Sem diques, a correr nos corredores da vida
Engulo séculos de esperas, de retorcidos nãos.
Calo-me enquanto curvo-me aos açoites
Mas abro-me inteira de esperanças doces
Para acolher teu sorriso manchado.
Eu ofereço meu ventre cansado
Para receber teus dias tristes
Que cabem em igual leito de solidão.
Com o abraço solitário da minha ternura;
Nunca houve tanta verdade
Em tão pouco silêncio.
Um vale de sentimentos que transborda
Uma ponte que não encontra o outro lado
E um imenso borbulhar de sons
Dentro desse vazio de pessoas e gestos.
Eu desenfreada angústia,
Sem diques, a correr nos corredores da vida
Engulo séculos de esperas, de retorcidos nãos.
Calo-me enquanto curvo-me aos açoites
Mas abro-me inteira de esperanças doces
Para acolher teu sorriso manchado.
Eu ofereço meu ventre cansado
Para receber teus dias tristes
Que cabem em igual leito de solidão.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Espaços
Grande esse vazio que cresce
espande por todo o espaço.
Enormes esses nadas que se amontoam
amoldando formas vazias e sem cor.
Dentro desse infinito espaço
que a nenhuma lógica obedece;
verdadeiros, só os sons que ecoam
mutilados por vozes em dor.
Deslocando-se de lá pra cá,
de cá pra lá, à deriva,
trombam com silêncios ácidos,
falas ocas e criações pífias
fingindo possuir gentil sabor.
Tantos compartimentos azuis
rosas e furta-cores, já emboloram
sob o cansaço da luz tênue que se apaga.
Foram recolhidos os sóis,
as luas e seus mistérios surdos,
não mais razão para colecionar:
ilusóes, sentimentos, nem chuvas doces;
atrás do pano a vida envelheceu
de tanto esperar...
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
São Paulo - uma cidade encantada
Desvairada quatrocentona
que se ergue majestosa
nas construções seculares
bem como se encharca
pelos túneis e avenidas;
assombrando pela beleza
e ao mesmo tempo
pela fúria da natureza.
Aconchegante metrópole
velha e ainda deslumbrante
que tem um povo trabalhador
hospitaleiro e baladeiro.
Cativa seu turista e visitante
em cada beco de cultura
em cada palmo do seu chão
coalhado de atrações.
Amedronta seus passantes
pela imensidão de concreto
que se estende a céu aberto
e ao longo de intermináveis avenidas.
Bela quase qüinqüentona
que mesmo maltratada
segue imponente
até depois de um verão de dilúvios;
basta que o sol se apresente luminoso
e seu povo se esquece das avarias,
das perdas e das suas dores mais fundas
para se apresentarem sóbrias,
bem vestidas indo e vindo pelas ruas e trilhos.
Não há chão mais sagrado
que o que nascemos ou vivemos.
Sofremos, choramos,
mas fincado a eles como raízes
florimos todos os dias
para que o mundo veja
a beleza que ofertamos
a quem nos visita e soma forças.
Cidade cinza de coloridos tantos
Enfeita-se de luzes e sons
para agigantar prazeres
dos seus transeuntes.
Proteje seus artistas,
abre os braços para o mundo.
Sua a camisa, estufa redes,
cria e exporta moda.
Generosa metrópole que não dorme
fala muitas línguas,
dança com todas as tribos,
e se acaba no Sambródomo
em plena quarta-feira de cinzas.
Bem-amada selva multi-racial
dos senões e dos desejos tolos;
um brinde a sua elegância
pouco entendida pelos recém chegados.
Um brinde a sua alma doce e tenaz
ao seu abraço carinhoso.
Muitos versos ainda faria e nem assim
cantaria sua atuante beleza;
fecho os olhos e emano energias,
num desejo sincero de Felicidades tantas
a você e sua brava gente.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Egoísta eu?
Eu dependo de mim
porque sou de mim
pai, mãe e inteira
descendência de Eva.
Sou de mim o alvo
começo e o fim
apoteose da vida.
Tenho em mim
a semente benfazeja
a energia vital,
o dom sobrenatural,
o sangue da realeza.
Eu me contenho
e me basto
em um único cálice.
Sou anjo doce,
criação original
esculpida no ápice.
Onde estiver serei
primeira e única,
de mim e para mim
exalando a essência
da melhor existência.
Meu diário: a franqueza
sem motivos,
sem objetivos
para o augúrio
de alguma beleza.
Cultivo o desprezo
por ser herdeira hilária
do cenário patético
do meu imaginário.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Ególatra
Angélica T. Almstadter
09-01-2010
Olha o seu umbigo
não, não deixe que chova
os cartazes da cidade
espalham seus odores
Mais um dia de sol
para sua glória
a vida respira de mansinho
prostrada aos seus pés
você é a mais nova eleita
Seu perfume inala
todo vapor destilado
das gentes
nada é mais forte
que a sua presença
Apesar dos sinais
sua retina não retém
as novas informações
seus olhos passeiam vazios
pela órbita da vida
domingo, 9 de janeiro de 2011
Psiu
Estou sentindo falta de silêncio,
falta do frio eco zunindo ao meu redor
que atropela meus pensamentos
e faz com que eu grite em versos.
Cansei do vozerio, dos risos despachados,
do tropeçar em falas e cantorias.
Quero de volta o silêncio, a solidão
que me faz ouvir o tum tum tum do coração
que me obriga sentir a respiração.
Me envolve em suores frios de aflição.
O silêncio inquieto que faz perceber-me
ouvir-me, tocar-me
e saber que guardado dentro de mim
represado querendo explodir
há poemas e prosas em gestação
maturados, querendo nascer;
lembrando que a vida só pulsa vigorosamente
porque aqui a poesia é fonte incessante
mesmo que não ecloda todos os dias.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
A Porta
Angélica T. Almstadter
Antes que atravesse essa porta
Saiba que perdi o senso
Depois que estrangulei minha aorta
Não me cobre consenso
Cansei de tanto juízo
Desse comportamento adequado
De esconder meu jeito exagerado
Meu pouco siso
Não se espante com essa outra
Que se encontra deste lado
Uma muher risonha e marota
Cheirando a pecado ousado
Cuidado com essa mulher
Que tem um jeito diferente
Que se comporta feito gente
Que sabe o que quer
Respira ares de liberdade
Quando ama é atrevida
E chora de saudade
Essa mulher não foi a que deixou
Nem a que conheceu
Essa é a mulher que amadureceu
Aos poucos desabrochou
Soltou suas amarras
Tem vontade própria
Afiadas garras
Apesar de sóbria
Aprendeu seus limites
Encontrou seu universo
Em cada linha de cada verso
E não aceita mais palpites.
Antes que atravesse essa porta
Saiba que perdi o senso
Depois que estrangulei minha aorta
Não me cobre consenso
Cansei de tanto juízo
Desse comportamento adequado
De esconder meu jeito exagerado
Meu pouco siso
Não se espante com essa outra
Que se encontra deste lado
Uma muher risonha e marota
Cheirando a pecado ousado
Cuidado com essa mulher
Que tem um jeito diferente
Que se comporta feito gente
Que sabe o que quer
Respira ares de liberdade
Quando ama é atrevida
E chora de saudade
Essa mulher não foi a que deixou
Nem a que conheceu
Essa é a mulher que amadureceu
Aos poucos desabrochou
Soltou suas amarras
Tem vontade própria
Afiadas garras
Apesar de sóbria
Aprendeu seus limites
Encontrou seu universo
Em cada linha de cada verso
E não aceita mais palpites.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Turbilhão
Foto Jussara Almstadter
Sem direção e nenhum freio
eles entram e saem
silenciosos algumas vezes
ou rasgando emoções
arrebentando as comportas
que me banham soluçantes
Liberam alegrias
lembranças doces ou doídas
estimulando
inspirando
deprimindo
Vorazes como a fome
devoram as palavras
que regurgitam
incessantemente
... sobre o alvo papel
vai se livrando delas
uma a uma num ritual
emocionalmente caótico
domingo, 5 de dezembro de 2010
Nódoa
Angélica T. Almstadter
Cuspi a alma em fagulhas,
Sobre a toalha impecavelmente branca.
Com alma sangrei vinho do brinde.
Ficou incrustado no linho mesa,
Sob seu olhar atônito, a marca exata
Da minha mais nobre emoção.
Sei que acalentará com cuidado
Até juntar todos os cacos,
Do meu amor derramado.
Uma taça de esperança tinta,
Para bombear meu coração apagado.
Um silêncio precioso para recompor
O espelho da minh'alma estilhaçada.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Não desejo ser compreendida
Angélica T. Almstadter
Sou o sonho solitário que rompe os muros dessa prisão...Sou o vento libertário que invade os ares em busca de comunhão...Sou a branca nuvem desse teu céu em harmonia...Sou a paz na tua melodia...Sou o rio que explode no leito inexplorado...Sou o veio rasga a terra com sede de viver...Sou a sede da natureza...Sou a voz embrutecida...O sal da terraA voz que grita se agita, se contorce...Sou o brado em meio ao deserto, a tempestade que sufoca, o banquete dos faraós; não sou pó, nem oásis nesse mar de sol abrasador.Sou a linfa que circula nas entranhas da areia...Sou espuma ruidosa que se desmancha na areia escaldada, sou minguante na maré das luas adolescentes, sou veleiro perdido na tirania das marolas...Não sou a paz das espadas desembainhadas sou guerreira errante nessa ampulheta de bandeiras hasteadas...Não me pertenço, não sou rumo nessa esfera em que bailo...Não sou brilho nessa nesga de luz que atravesso, sou a parte amputada da história que conta suas glórias, atravesso o buraco negro em vôos rasantes, me mantenho atemporal, sazonal a medida que me guardo no olho do furacão como chispa incandescente,fagulha acesa que carece de lenha para arder...Não desejo ser compreendida, borbulho pela borda da vida e como bebida preferida, me aceito e me derramo,só quero ser sentida...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
olhos de ressaca
mataram meu humor
na curva de uma palavra
o riso ficou pendurado
num canto sem graça da boca
minha voz foi encoberta
pelo som dos silêncios
entreolhados cúmplices
meus olhos pensos
soluçaram de dor
e não mais sairam
do porta-retratos da sala
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Iluminura
Encastelada em sonhos difusos,
cercada de silêncios e rumores,
mora a inqueitante solidão.
Tece os dias em pequenos fusos,
bordando horas inteiras de favores;
com fios de meadas tênues
intercalando sua doce ilusão
aos traços firmes da obsequiosa razão.
Lá onde o encanto não morre;
refaz as aflições com igual agonia,
bebe verbos e palavras ausentes.
Para si mimoseia com ternura
a boca escancarada do escárnio.
Moraria dentro de uma epifania
não fosse a realidade uma ruptura.
Mas é noite de passar os dentes
Fechar a cortina mudar o cenário.
sábado, 13 de novembro de 2010
Out
Chic é ousar ser
é não negar o tesão,
muitos nãos
elevam a auto estima.
Estar on as vezes
é muito vazio;
Estar out
é uma sacada
pra grandes vôos.
A solidão é off
a alegria está out;
um clic e se acende.
Mas chic mesmo
é saber ser out
curtir a solidão
gostar muito de ser
beber o vazio
e voar com alegria.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
os mil tons e sons da solidão
acenando ao vento se afasta,
já fora do alcance dos sons,
sua obtusa lembrança gasta
na trilha matizes em mil tons
a rede rompeu laços tantos
é hora de navegar a solidão
espraiar em outros recantos,
com fúria, sua autêntica ilusão
sem traves, obstáculos ou afins
sobre os próprios passos
poder calçar solfejos de serafins
um brinde borbulha na taça
a palavra se sujeita a míngua
de qualquer língua em ameaça
já fora do alcance dos sons,
sua obtusa lembrança gasta
na trilha matizes em mil tons
a rede rompeu laços tantos
é hora de navegar a solidão
espraiar em outros recantos,
com fúria, sua autêntica ilusão
sem traves, obstáculos ou afins
sobre os próprios passos
poder calçar solfejos de serafins
um brinde borbulha na taça
a palavra se sujeita a míngua
de qualquer língua em ameaça
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O vôo da palavra
Não há vôos ensaiados
As asas conduzem ao desconhecido
Como se vez primeira fossem
Todos os rasantes
Não há falas ensaiadas, só
Pensadas e repensadas
Elas se espalham renitentes
As mais impensadas
Florescem sem preconceito
Até que cheirem mal
Entre um vôo e uma fala
Fico com a palavra
Descrita em muitas nuances
Porque dentro dela o vôo
Sempre recomeça a cada leitura.
sábado, 6 de novembro de 2010
Insight de Lucidez
O que importa se a porta se abriu?
Que diferença pode fazer eu andar alguns metros, ou alguns centímetros,
se cá dentro desse espaço os olhos estão cravados em mim?
Não por eu ser assunto importante, não,
mas os olhares me fitam perscrutantes de quem estuda,
controla...de quem mede cada passo e teme cada palavra.
Pois que se feche essa porta, e que o holofote não fique focado sobre mim,
penso que longe da alça de mira d'algum olhar malicioso,
o tempo há de ser mais senhor da razão, exatamente como nesse chavão.
Não vou perder o tempo com mesuras ou rotas desculpas,
tenho estrelas nos olhos, com pontas a me espetarem a íris impaciente,
tenho ombros largos o suficiente para aceitar tanto a mochila mal feita
quanto o braço pousado sem pressa, sem perguntas...
Não me assusta mais olhar e ver o que em outro tempo me apavoraria;
me incomoda não prever as palavras que soam como eco de peitos vazios
e barrigas cheias de reizinhos mal coroados.
Prefiro portas fechadas atrás de mim; é na curva do horizonte
no silêncio que sopra a excelência da natureza viva que eu encontro o abraço mais
apertado, a definição mais perfeita do amor.
É no aberto onde sem traições e sem traidores que a vida se torna real em toda sua magnitude.
Eu não espero que tantas pessoas compreendam a minha peculiaridade de viver a verdade inteira só por lealdade ao meu próprio espírito.
Minha alma, a parte carnal do meu espírito tem a sabedoria de entender e fazer ponte entre meus múltiplos corpos; o restante, já nem tem muita importância.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Adeus
Tão pouco de mim nessas cinco letras
Que fogem apressadas pela boca;
Molhados, engasgadas quase bêbadas,
De você uma quase renúncia louca.
Um adeus pacíficamente concreto
Palavras mudas, olhares discretos.
Certezas desenham um único gesto
Fica saudade de momentos secretos.
Cinco letras amargas, asfixiantes
Viram uma página risonha
Cravam desejos tão mais distantes.
Encerra numa melodia tristonha
A elegância de garbosos amantes
Numa fantasia que não mais sonha.
Que fogem apressadas pela boca;
Molhados, engasgadas quase bêbadas,
De você uma quase renúncia louca.
Um adeus pacíficamente concreto
Palavras mudas, olhares discretos.
Certezas desenham um único gesto
Fica saudade de momentos secretos.
Cinco letras amargas, asfixiantes
Viram uma página risonha
Cravam desejos tão mais distantes.
Encerra numa melodia tristonha
A elegância de garbosos amantes
Numa fantasia que não mais sonha.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sua excelência: o eleitor
angélica t. almstadter
01/11/2010
sorriso franco, esperança na mão
subiu e desceu ruas
adentrou avenida assoviando
anônimo importante
só um número ou uma digital
e o sorriso ainda franco
clicou, pegou o bilhete e saiu
rumo a favela, ao gueto
não respondeu a provocação
na noite de sua alegria
o sorriso virou gargalhada
guardou a arma para outra ocasião
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O que nós queremos!
O que esperamos nós brasileiros quando estamos diante da campanha para presidência do Brasil?
Esperamos ver os candidatos e pessoas próximas empenhadas em mostrar suas propostas para um Brasil cada vez melhor para todos os brasileiros, não só promessas; reais possibilidades de que possam ser passadas para o exercício prático.
Mas será que é isso mesmo que pensam todos?
Parece que esqueceram que os maiores interessados, nós brasileiros; povo, portanto a maioria, não quer saber se fulano é santinho ou se ciclano usa vermelho, verde ou amarelo, nós pensamos como um todo pensa: O Brasil que queremos viver, com escolas, educação, saúde, moradia, democracia e paz!
O palco da política nessa campanha virou tanque da levadeira (que me desculpem as lavadeiras) para lavar todo tipo de roupa suja, inclusive a íntima, em público, enfiando goela abaixo do pobre eleitor falsas promessas, mentiras, boatos maldosos e muita fofoca. Um desrespeito total com quem assiste a esse patético jogo do poder.
A democracia é um jogo onde todos têm direito a livre expressão, que não quer dizer bagunça, nem que esse direito não deva ser exercido com responsabilidade, muito pelo contrário; quem tem o poder da palavra, o espaço para se manifestar tem que dar o exemplo e para ser respeitado tem que se dar o respeito.
Por mais que contestem vivemos num país livre, democrático e laico que tem mostrado sua cara no mundo. graças ao empenho do governo do Lula, porque se hoje o Brasil é um país soberano e respeitado lá fora, isso não aconteceu por acaso e nem da noite para o dia, mas pelo esforço do nosso presidente em fazer desse país um país melhor, menos desigual, que sabe o que quer e que luta para que o povo brasileiro entre no mundo moderno usando as mesmas mídias que as elites, com os mesmos direitos a educação, emprego, moradia e a participação ativa na sociedade, a mesma que antes era reservada só a escolhidos e bem nascidos.
As eleições presidenciais de 2010 vão entrar para a história, por muitos motivos, entre os quais pela volta do ódio, da busca do retrocesso calcado nas alianças mais espúrias com a extrema direita mais reacionária e retrógada. Uma eleição onde se pretendeu avivar a Inquisição, que foi a face mais vergonhosa da nação cristã. Ainda nessa eleição se pretendeu trazer para o centro das discussões, questões religiosas que não podem e não devem decidir questões eleitorais, destruindo com isso a possibilidade de uma discussão sadia e amplamente divulgada; a do aborto como questão de saúde pública e não do modo aparvalhado e covarde que foi. Um jogo ambicioso onde não se mediu as conseqüências de se atirar no adversário sem observar que na reta estava o próprio pé.
Há que levar em grande conta nessa eleição de 2010 a maciça participação das mídias independentes, a blogosfera e o twiter que contribuiram de maneira extraordinária para o envolvimento do eleitor, formando uma massa crítica que não se intimida. Com esse cenário de crescimento da participação popular na internet, já podemos afirmar com certeza de que estamos caminhando a passos largos para uma consciência política muito maior; não há meio mais democrático do que a mídia eletrônica, apesar da crueldade que também pode ser destilada por essa mesma mídia.
Vivemos num país onde quem detêm o poder da palavra escrita, radiofusão e televisiva são as grandes fortunas, que não estão acostumadas as serem confrontados, mas que nessa eleição, muito mais que em outras, tiveram que conviver com a mídia independente o tempo todo fazendo contraponto, filmando e mostrando a verdade. É preciso dar cada vez mais voz ao povo para que ele se manifeste livremente e também faça parte do processo democrático: "Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".
Essa pequena burguesia que se mantêm no poder da palavra escrita e falada não gosta de povo que pensa e está tendo que engolir a rebelião pensante levantada pela blogosfera. Já não mais se mostra como o grande poder de "informação" e sim como uma imprensa marrom, golpista que se desnuda a cada dia diante até dos eleitores mais simples.
Só seremos uma verdadeira democracia quando o povo conseguir participar do processo ativamente, consciente da sua participação, lendo e escrevendo ciente da sua responsabilidade e participação inequívoca sem que lhe seja tolhido o direito de livremente se manifestar e enxergar a verdadeira face do poder, formando uma consciência crítica.
Apesar de ser clara a manipulação de uma imprensa facciosa, ainda podemos tirar dessa eleição lições para nunca mais esquecer: Queremos uma país cada vez mais politizado, consciente e não vamos permitir que nos enfiem goela abaixo convicções pré-estabelecidas, mentiras e principalmente exclusão do povo no processo democrático.
Não podemos deixar que nos calem, somos a voz dessa nação e não é meia dúzia de pessoas que vai nos dizer o que fazer, ler ou pensar, muito menos impor os "seus modelos de liderança".
Queremos um pais de iguais direitos e deveres.
Queremos um país soberano e com as riquezas divididas com o povo e não com estrangeiros.
Queremos um BraSil para brasileiros cidadãos e não para aproveitadores de plantão!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Tenho Medo
Angélica T. Almstadter
Tenho medo de não ter medo,
E avançar o mundo das misérias,
Me perder na fila da fome,
E sem medo de desvendar segredos;
Ser condenada ao degredo,
Exilada na palavra,
Caminhar sobre brasas acesas,
Ser depósito de esperanças cegas;
A nadar de peito aberto, sem nunca espraiar
Tenho medo de ter medo,
E não denunciar a violência que campeia,
Pactuar com a demência que me rodeia,
Ser um verbo mudo;
Um folhetim barato, anônimo,
Sem nome e sem pseudônimo;
Me ver confundida na multidão calada;
Ginuflexa e mãos atadas
Olhando para o nada.
Tenho medo da omissão,
De não ser ponto de referência,
De perder a paciência,
De me ausentar da obrigação;
Fazer pouco caso da minha razão
Me alienar da verdade,
E prostrada na ansiedade
Perder minha identidade
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Antologia 2010

É com orgulho que digo a voces da nossa Antologia 2010,
além da capa que foi concepção minha a partir de uma foto cedida por minha filha: Jussara Almstadter.
ainda há um prefácio delicioso de Uraniano e as poesias de amigos que sabia da qualidade, mas me surpreenderam mais ainda ao ver publicado.
Eu apanhei na mão minha cria, cheirei, acarinhei e me senti orgulhosa de mais uma vez participar de uma Antologia nascida de um grupo virtual, pq eu vi empenho, dedicação, doação, amizade, companheirismo e acima de tudo par-ce-ria!
Obrigada Conceição, Tânia e Clóvis pelo empenho em nos ajudar a realizar esse sonho de dar luz à nossa cria literária.
Sou suspeita pra falar, pq faço parte desse seleto grupo, mas sinto uma ponta de orgulho de estar no meio de gente tão gente!
Obrigada pela amizade, pela companhia e por me incluir nessa jornada.
beijos
Kika
além da capa que foi concepção minha a partir de uma foto cedida por minha filha: Jussara Almstadter.
ainda há um prefácio delicioso de Uraniano e as poesias de amigos que sabia da qualidade, mas me surpreenderam mais ainda ao ver publicado.
Eu apanhei na mão minha cria, cheirei, acarinhei e me senti orgulhosa de mais uma vez participar de uma Antologia nascida de um grupo virtual, pq eu vi empenho, dedicação, doação, amizade, companheirismo e acima de tudo par-ce-ria!
Obrigada Conceição, Tânia e Clóvis pelo empenho em nos ajudar a realizar esse sonho de dar luz à nossa cria literária.
Sou suspeita pra falar, pq faço parte desse seleto grupo, mas sinto uma ponta de orgulho de estar no meio de gente tão gente!
Obrigada pela amizade, pela companhia e por me incluir nessa jornada.
beijos
Kika
sábado, 2 de outubro de 2010
Ato de fato
Angélica T. Almstadter
Deixo a besta fome se perder no juízo parvo dos passantes, afinal nem ela mesma se sabe atriz principal nessa calçada da fama. Adorno os olhares esgazeados com poesias lúgubres intercaladas de risos frouxos e muitas pérolas ditas sem censura.
Quem há de se perder nessa guerra de retórica famigerada? Um vulgo espírito de face encavada e falsos passos, que permanece hilário para o consumo da inerme massa estupidamente passiva. Mas não é só de horrores que se vive nessa selva de cascalhos bem cuidados há o mel que pinga da boa seiva, rara, mas de fonte certa.
É pouco ou nada seguro nesse feixe de ilusões banais a estranha convivência in natura, é um quase anunciado suicídio público. Na valia dos grandes feitos, da luxúria revelada quase em volúpia ficam vincados no mural da publicidade gratuita a personalidade magnânima da existência humana.
Seixos que somos nessa correnteza inóspita de leito para as gerações vindouras deixamos rastros seguros para quem há de pisar o mesmo chão depois de nós e deixamos comportas abertas para que escorram a vaidade, o orgulho e até as nossas pequenas crueldades. Semeamos nessa passagem quase obscura um canteiro de flores particularmente artificiais que colherão tanto a ralé admirada quanto a prole desencantada.
Que venham então os dias negros sob o estrondo da euforia teatral a musicar a passagem ostensiva da miséria fantasiada de turba elegante para o aplauso disciplinada da seleta frisa que observa sequiosa.
No camarim o debrum da roupa desgastada é cosido com esmero para o próximo ato.


