domingo, 18 de outubro de 2009
Cuspindo marimbondos
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Fórceps
levados como pó, voaram
não deixaram sequer pegadas
Com eles, devaneios e ilusões
acalentadas secretamente
rasgadas a frio, sem emoções
Uma nesga de tristeza
me abate e joga ao solo
o refinado gosto da sutileza
Morte anunciada
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Nasci poeta?!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Confesso!
Custa-me confessar o corpo em desalinho
esparramado sobre o leito quente,
o ventre abrasado e sem carinho
sabendo-lhe insone e a carne dormente.
Sussurrar seu nome não me atrevo
ainda que o tenha apertado entre os dentes;
é loucura eu sei, e não posso, não devo,
padeço então como fazem os dementes.
Posso ouvir a chamar-me seus gemidos
convidando-me o corpo ensandecido
à revirar-me no leito aos gritos
numa noite inteira de amor pervertido.
Confesso sem pudor: o desejo me queima
o corpo pede e insiste; a cabeça diz não e teima.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Poesia incidental
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Só para os teus olhos

quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Desejo-te

Foto tirada pela minha filha Ju na Pinacoteca de São Paulo em 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Tenho Medo
E avançar o mundo das misérias,
Me perder na fila da fome,
E sem medo de desvendar segredos;
Ser condenada ao degredo,
Exilada na palavra,
Caminhar sobre brasas acesas,
Ser depósito de esperanças cegas;
A nadar de peito aberto, sem nunca espraiar
Tenho medo de ter medo,
E não denunciar a violência que campeia,
Pactuar com a demência que me rodeia,
Ser um verbo mudo;
Um folhetim barato, anônimo,
Sem nome e sem pseudônimo;
Me ver confundida na multidão calada;
Genuflexa e mãos atadas
Olhando para o nada.
Tenho medo da omissão,
De não ser ponto de referência,
De perder a paciência,
De me ausentar da obrigação;
Fazer pouco caso da minha razão
Me alienar da verdade,
E prostrada na ansiedade
Perder minha identidade
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
à força
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
morte emocional
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Eu precisava...
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Urgência amórfica
A heterogenia poética da verve solitária,
Que dela se veste como única saída
A morrer de uma possessão imaginária.
Nos espasmos suspiram versos tortos
Onde balbuciam sem estética, sem gramática
Eternizados nas linhas de poemas amorfos,
As palavras de urgência assintomática.
Coisa pouca esparramada no grande vazio,
Adornos usuais desfilando sem memória,
Temores e grandes amores marcados a frio.
Emoções sedentas por uma linha divisória,
Que vire a página sem pedir resgate
Registradas qual óbito na minha história.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Inconfessáveis olhares

quinta-feira, 23 de julho de 2009
Improviso
terça-feira, 21 de julho de 2009
Quadro de Avisos
No quadro, um aviso poético
Grafado com letras manuscritas
Quadras exatas em tons melódicos
Dão colorido especial em meio aos itálicos recados.
Uma tarja preta diagonal explica;
Jaz nas linhas desse poema eclético
Intenções lúdicas, impressões escritas.
Enfeita o quadro de avisos lógicos
Um poema prosa de sentidos variados,
Nascido de um sonho anárquico,
Quase que uma liturgia complexa
Emblemada de forma convexa.
Radiante lá está o feito simbólico,
Sussurrado em tom melancólico
Palavras catadas ao vento
Atadas em algum breve momento,
Recolhidas por olhares atentos;
Dormirão em um coração discreto.
Passará como tudo passou um dia
O verso, o poema e a prosa analítica;
Atrás da tarja preta, uma saudade.
Desfilará uma ou outra alegria
Uma ou outra reflexão cítrica;
Só nunca passará de verdade
A veia e a extrema força rasgada
Na emoção da palavra ali grafada.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Ciranda de estrelas
Tudo que tu vês, são meus olhos densos
Minha boca pálida, sem teus beijos.
E tudo que eu sei é que essa louca ansiedade
Deixa meus olhos alagados, pensos.
Não há céu além dos teus desejos
Nem há distâncias entre a tua e minha saudade.
Quando a noite cair, vou buscar,
Aquela ciranda de estrelas que baila sorrindo;
Para espalhar na tua cama perfumada.
Me verás ao redor da lua colorida, no teu hangar
Saberás que; em cada dia desse tempo infindo
Presente estarei por toda a madrugada.
domingo, 5 de julho de 2009
Luto
sábado, 4 de julho de 2009
Página virada
quinta-feira, 2 de julho de 2009
autofagia

quarta-feira, 1 de julho de 2009
Farsa
terça-feira, 30 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
Ah se vai!

sexta-feira, 26 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
espasmos emocionais

sábado, 20 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Com a cara no mundo
Quando meu primeiro choro salgou a pele, tive a sensação de primeira chuva, e na primeira
Fui consagrada na homília dominical e rompi o círculo das cabalas. Sou um corpo iniciado nas mandalas, circunscrevendo meu próprio espaço.
Não comungue na mesma patena, há de ter nela o meu sangue vertido em pecado. Consagra a sua oferenda a rebeldia dos insensatos e se aceita; terei em mim o seu pecado original, a Gênesis em essência.
Quando escancarei a cara no mundo profanei os tabernáculos e oráculos, botei o pé na profecia, e bem antes que me dessem as chaves da existência eu já rompia com as exigências; pra me fazer carta e cartilha nesse jogos que se joga as avessas.
Se nos púlpitos da excelsa divindade eu me adorar, saiba que neles fui cuspida e cabalmente concebida.
Adentrei a vida pela margem oposta, segui sendas nem sempre muito sacras; sou quebra-cabeça e caleidoscópio, em constante mutação. Essa sou eu, mil vezes renascida, sutilmente escarrada na sua porta de entrada.
domingo, 7 de junho de 2009
Canto do desencanto
quem abraça os insensatos
sábado, 6 de junho de 2009
E quando...
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Diário de fuga III
Pensamento
que são levados ao sabor dos sonhos,
Se acordar sem mudar de lugar`
é porque já está no lugar certo.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Palavras molhadas
Diário de Fuga II
sábado, 30 de maio de 2009
num piscar de olhos
sexta-feira, 22 de maio de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Angélica T. Almstadter
15.04.09
no ponto exato da pulsação
uma exclamação
e uma pergunta ficou no ar:
quanto vale esse tempo indeciso?
serei eu a pedra do altar
ou a pedra no caminho?
contida pela força
desacelero aos poucos;
não me acho, não me vejo
e não sinto o que me abraça
não há senão uma esperança
que bate descompensada
uma chama oscilante
que pisca e não se apaga
que não morre, nem se apruma
os dias se seguem obstinados
enquanto eu que não me habito,
assisto o tempo que me embaraça
nas horas que em mim se embaçam
na batida do carrilhão apressado
tenho pressa de viver
medo de adormecer e ver a vida se extinguir
nos meus braços vazios
sem ao menos ter vivido
a cota que me é devida,
conto os minutos dentro das horas
nas marcas da minha pele
nos fios do meu cabelo
que sem licença adoecem
desacelera coração
há muita vida dentro dessas artérias
muita horas dentro da ampulheta
infinitos trilhos nesse túnel
e muita emoção a ser embalada
por esses meus braços ansiosos
domingo, 5 de abril de 2009
Mutirão da solidão

Angélica T. Almstadter
01/04/09
uma multidão de olhares vazios
me acompanha todos os dias
são rostos sem risos
em corpos mecânicos
orbitando no vai vem diário
penso, logo existo
mas pra quem?
se os rostos que me seguem
não tem expressão,
as bocas mastigam nervosas
contra um implacável relógio
por todo lado gente, máquinas
vozerio, apitos, buzinas e mais gente
gente que não vive, não pensa
come, trabalha, anda e compra
e no tempo que lhe resta dorme
e esquece que é gente
e que por isso mesmo
acorda todo dia no mesmo dia.
A melodia dos seus pés

27-03-09
As sandálias se amoldam aos seus pés
que dançam delicados passos
No tornozelo despido
brilha uma jóia
tal qual um colo branco.
Lá vai ela pisando meus sonhos,
saltitando feliz pelas ruas
que enfeitada com pétalas de jasmins
serve de passarela dos seus caprichos.
Ela não conhece os espinhos
que tenho cravado na alma;
desafia sem embaraço
as leis da emoção
quando pisoteia no meu coração.
Dançam os balangandãs
com os pés dessa feiticeira
musicando rua adentro
seus passos mais ligeiros.
sábado, 28 de fevereiro de 2009

Maturando o corpo da palavra
Angélica T. Almstadter
28-02-2009
Há dias que mastigo o tempo
lavo-me nas águas do choro;
mais um dia sem poesia
engolindo vozes em conchas.
Flerto com alma do vizinho
gasto as palavras que calo
no pensamento enfileirado
...ainda sem colocar no papel.
Escorre o tempo junto a chuva
que cai no mesmo ralo;
apago as emoções,
e no vazio que me enche o espírito
deixo que dancem palavras;
quiçá um dia nasça
uma poesia com corpo e alma.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
da série Bom Dia
Algum dia em algum lugar meus olhos
hão de sorrir de verdade...
Não deixo rastros por onde ando, não deixo
marcas nas paredes recém caiadas...
porque sou transparente, não tenho pontas
a arranhar os espelhos que me refletem...
Sou apenas uma brisa de pouco perfume...
que roça breve e passa sem deixar saudade...
Tenho no ventre as dores do parto... constantes...
tenho nos braços a herança que não cresceu...
o sonho que não amadureceu...
Tenho o corpo crivado de angústias...
de esperanças adormecidas...
tenho a boca seca de saudades...
e os olhos perdidos em algum horizonte...
Sou um livro de páginas amareladas...
rabiscadas e arrancadas brutalmente...
sou o peso da liberdade e a lembrança da saudade...
Tenho o corpo vazio... o coração sempre apertado
e a boca sangrando através das minhas mãos...
tenho a alma na ponta dos dedos e dela
deixo um pouco toda vez que me faço canção...
Falta-me o ar... falta-me a vida... falta-me a razão principal
de ser e estar em qualquer lugar... falta-me o prazer de ser...
a alegria de viver... falta-me a vontade de prosseguir...
Tenho os pés doloridos... a alma lanhada... tenho as asas cortadas
e os olhos em mar... o que faz de mim um corpo estranho
em mente inquieta...
Faço-me lua para anoitecer... faço-me cânticos para sobreviver...
e nem os raios de sol que me rasgam o olhar...
e cintilam como lâminas podem apagar as lágrimas
que ora escorrem sem rumo...
Em algum lugar há de amanhecer
um dia que tenha sorrisos na janela...
abraços fartos para me envolver...
e mãos a me tocar sem receios...
domingo, 11 de janeiro de 2009
menino anjo
o anjo dorme sem asas
não é mais tão puro
um dia ele foi azul
foi doce e sereno
o anjo aprendeu mentir
chora mais que sorri
tem os pezinhos sujos
o olhar distante
suas pequenas mãozinhas
se esfregam aflitas
...conhece agora o medo
a tristeza de sentir-se humano
As pipas
Sonhos coloridos voam
cortando o azul do céu
livres como os pés sujos
e descalços que os conduzem
sorrisos povoam as bocas
olhinhos brilhantes assistem
a dança das rabiolas
formando desenhos imaginários
contando histórias únicas
nascidas da beleza de ser
comandante de um pássaro
abaixo da imensidão
os sonhos sufocam
a alegria dos pezinhos
que correm pisando
pedriscos pela vida afora
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Alter ego
no espelho dessa mágoa
sorri um retrato em preto e branco,
há flores levemente perfumadas
pintadas nas mãos brancas do lado de cá.
foi o vento quem soprou novas palavras,
que não ousaram quebrar o cristal
para encontrar meus dedos afoitos;
escorreram molhadas pelo veio
a desaguar no rio do esquecimento.
está lá, olhando -me sem expressão
o mesmo olhar duro
que ora sorri, ora dorme
tentando enxergar além de mim
o eu sem história pra contar.
Trilhas
Atrás da retina; lembranças.
Nos lábios o gosto úmido do beijo,
Ilusão desvanecida
Bem guardada.
Preciosa jóia brilha
Só para meus olhos
Sem ontem,
Tão pouco amanhã.
Os passos vão lépidos
E a estrada encurtando;
Na mochila da memória
Cochilam sonhos
Tão meus e de mais ninguém.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Só seixos rolam
16-12-08
São muitas as arestas cruas
cantos vivos a ferirem os olhos
nada que o tempo reconstrua.
Nós quebrados não se encontram
não formam laços. São peças soltas
sem significado, e que encruam.
Pedras brutas agarradas ao limbo
seixos não nasceram pra ser
afastam de si, mas não deixam o ninho.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Angélica T. Almstadter
Essa ruga leve que marca meu olhar,
contam das noites e dias
onde fui procurar o que nem sabia existir.
As mais profundas se fixaram aí
quando encontrei e me deixei absorver
por aquilo que conheci em detalhes.
Mesmo quando os olhos já não brilham
com a mesma intensidade,
a expressão se modifica a cada dia
e as rugas ao redor dos olhos se avolumam
meu espírito está em paz, já que a cada dia
somo um tantinho mais nessa
experiência fantástica que é a vida.







