Meu diário de bordo

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

a dor que me rói


a dor que ora me rói
não tem feridas aparentes
é uma dor doida de tão doída
que a alma dilacera e mói
até eu trincar os dentes

a dor dói e não sangra vermelho
não tem cortes mas escorre
e eu defronte a esse espelho
molho de lágrimas e porre
a dor que me machuca

sem parar, dói a dor e cutuca
o desejo de não mais desejar
a ânsia louca de amar
o amor que muito maltrata
a alma presa no bico da sinuca

como rasgar a dor ao meio
se nem o punhal de prata
faz doer mais que esse veio
aberto no vão dos seios
a me definhar como vira-lata

dói como enfarte agudo
essa dor sem coração
não mitiga um segundo
porque tem a fome do mundo
de amor, jamais de razão

Um comentário:

nydia bonetti disse...

Há dores assim, que corroem. Mas passam. Haverá de passar esta também...

Um beijo, Angélica.