Meu diário de bordo

domingo, 18 de outubro de 2009

Cuspindo marimbondos


Estou cuspindo marimbondos
andando de senho derrubado
pés querendo comer kilômetros

Estou amarga pelos cômodos
a alma no corpo chumbado
concebendo logros aos metros

Estou andando em círculos fechados
pisando brasas, lambendo fogo
numa distância insuportável de ser

Estou menos viva e mais rude
suplicando que a solidão me abrace
nas noites e dias que fujo de viver

Fui aquém de mim, além do que pude,
e para a covardia não há disfarce
então, morro ou mato esse sofrer

Estou cuspindo marimbondos
não de fogo; de ferrões em brasa
que me saem queimando pela boca

Palavras rasgando a garganta
e outras tantas que não desentalo
envenenando-me até o talo

Um comentário:

Nydia Bonetti disse...

Achei incrível a imagem do marimbomdo queimando na garganta, Angélica... Veneno e brasa.

Sei como é... :) Beijos.