quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Não mesmo!
A necessidade me trouxe a superfície
O desgaste me leva ao fundo
As palavras me mordem ao acaso
Beliscam a língua que desgoverna
E antes prefiro criar caso
A pertencer a servidão moderna
A ser um cordeiro enfileirado
Prefiro uma forca no pescoço
A ter o grito amordaçado
Pago para ser o caso
Tenho opinião e me permito
Emití-la sem reservas
Não sigo gabarito
Nunca me inclua em badernas
O respeito é meu mito
E sei do alcance das minhas pernas.
Já era
Um dia te amei sem freios
Mais do que podia a razão
Teu nome tatuei nos seios
Acho que perdi a noção
Não foi amor, foi carência
Que encheu meu peito de ousadia
De me meter nessa experiência
De amor banhado de euforia
Mas eu amei com muito gosto
Sem travo e sem pudor
E nenhuma ruga no rosto
Hoje que tudo é saudade
Nem paixão, nem mais amor
Respiro ares de oportunidade
Frágil
Era um sonho de anseios encharcado
Acordou um dia seco como a prece
Destas que se faz em pecado
E a conexão não se estabelece
Era um sonho patético
Desses que carece alforria
Que se debate como epilético
Privação de sentido e agonia
Afogou-se na secura racional
Das pseudos paixões dominantes
Que sem cura margeia o emocional
Nasceu de uma aventura delirante
Sem solo fértil perdeu a raiz principal
Morre como brotou, num instante
Eu sou, eu fui, eu serei
Trago por dentro tempestades severas
Ventos uivantes de muitas eras
Tenho a necessidade urgente das chuvas
O sabor refrescante das uvas
Gosto muito dos dias amenos
Dores e desafetos de menos
Atalhos no meio do caminho
Pensar e divagar sozinho
Não me lanhe o bom senso
Ele reflete o que eu penso
Embora eu brique de filosofar
Leve a sério o meu pensar
Sou um amontoado de belezas
Confusas estações ilesas
Caprichos comuns da natureza