Meu diário de bordo

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Despedida




Ele virou-se e foi andando sem aceno, sem palavras, qual um dia que parte sem aviso.
Era verão, uma tarde quente, sol a pino; seus passos lentos se afastaram quase sem deixar rastros. Virava-se ali uma página de muitas histórias, quase todas acabadas só a última ficou sem final, faltou paixão para assinar os versos que eu ainda lhe compunha.
Olhei ao redor; na varanda a rede parecia desbotada, as flores abriram todas na mesma manhã, o piso gasto, brilhava. Da cozinha o cheiro do café convidava à mesa ainda posta e  pelo corredor o aroma de banho impregnava o ar.
Ele se foi como chegara; leve e sem se fazer notar. Naquele quarto onde muitas gargalhadas ecoaram, havia um silêncio absurdo contrastando com os meigos sorrisos ainda impressos, pendurados nas paredes, só os sussurros me afligiam a lembrança.
Deixei os olhos presos no espelho frio, de onde ele nunca mais saiu, atei as mãos aos lençóis ardentes de recordações só minhas.
Quem sabe o tempo dure infinitamente com esse sabor de até breve.

domingo, 29 de abril de 2012

A nona e eu



Nossa cumplicidade não passa do primeiro ato, muito diferente de Beethovem; que toca pra mim da primeira à última nota da nona sinfonia.
   Por pura ironia, o "cumplice", está impregnado na minha pele e nem de longe ele conhece o "dolce gabana" que se estende nos meus edredons; falta a linguagem além das palavras.
   Só eu conheço os alegros e andantes que retumbam no meu peito. Só eu me arrepio com os celos, que me levam para além do infinito, sonhar com a imensidão, porque sou tão surda quanto ele, mas percebo pela vibração os sons, sinto a mesma ebulição cá dentro.
   Enquanto minh'alma comunga com o universo; essa enorme senda de paixões e mergulha na necessidade de ficar prenhe, meu corpo se esconde dentro dos mais abusivos silêncios; fico gerando e maturando meus anseios. Não me basto, eu sei, mas me arrasto dentro das horas pra me fazer canção com cada nota que me arde sentida dentro do peito.
    Onde eu estava enquanto ele compunha para mim? Quiçá eu boiasse sob as estrelas, ouvindo seus dedos em toques perfeitos suplicando nas teclas do piano. Talvez eu não soubesse que cabia dentro da sinfonia, ele certamente  não sabia que eu existia.
    Nunca passamos do primeiro ato, mas ele vive em mim.
    Ele toca e me toca, tanto mais quando exerce seu fascínio sobre mim de onde mais nem eu sei onde encontrar, já que é pó e sonho misturado a realidade bruta, que se assenta na minha presença e me ouve calado os choros desatinados. É aqui, que ele se confunde entre o lúdico e a realidade, na minha mais cruel saudade...
    Uma desabalada correria acelera as minhas pulsações, me remete ao tempo que só a nós pertece, entre o sonho e veleidade. Fecho em círculos imprecisos as lembranças e me guardo pura nos acordes da nossa melodia.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Atrevas a me roubar, vai!



     Não roubas somente os meus textos, rouba-me as horas de prazer que dediquei a escrever minhas experiências. Roubas a emoção que apertava meu peito em cada palavra que eu digitei.
   Não conheces o lugar onde eu estive, os olhares que me olharam  e ainda assim, roubas de mim os flertes, os amores, os abraços e até a minhas pulsações ansiosas.
   Não estavas no meu leito, não conheces o corpo do meu amado e ainda assim falas dele, como se fosse teu. Não provaste o sabor desse beijo que é meu, mas insistes em falar dele, pelas minhas palavras.
Por que queres sentir as minhas emoções, as minhas angústias? Por que não te fechas em teu mundo e mergulha na tua intimidade para sentir as tuas próprias sensações?
   Ah! Como podes querer que eu te respeite, quando nem a ti respeitas, te embrenhando nas minhas emoções, navegando nos meus sentimentos como se fossem os teus; rabiscando sobre as minhas palavras, tomando sem pudor o que eu vivi, para ti?
   Quantas horas debruçadas sobre o teclado teci essas tramas que bailavam na minha memória, quantas horas sonhei esses sonhos que hoje dizes que são teus? Nem as lágrimas que derramei enquanto digitava com o coração apertando pelas minhas lembranças tu conheces, então como podes sair por aí desfilando as minhas dores como se fossem tuas e escritas sem nenhum um soluço? Como podes assinar as minhas vivências?
   Não roubas só os meus textos, tentas roubar a minh'alma para te aventurares por um mundo que não conheces, por desejos que não experimentastes. Não saberás o gosto dessa magia que é ter a alma livre como um pássaro. Não saberás como se realizar em sonhos o que não podes provar no dia a dia. Não terás esse mesmo sorriso que tenho agora nos lábios, porque não tens a mesma veia que ferve como a minha, ainda me enches de motivos para escorrer sem parar.
   Rouba-me se és capaz! Quanto mais tu passeias como sombra a espreita de uma vítima, mais eu sinto gana de martelar essas teclas para te denunciar!


(Na luta pela moralização da net, e defesa dos escritores e artistas)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Deixarei contigo minh'alma




Quando a vida abandonar o meu corpo,
e num último sopro eu tombar; muitas vozes se levantarão, algumas em lamentos, outras em contentamento.
Na minha face sorridente; ficará intacta a minha expressão de insensatez.


Terei nos lábios,
um riso leve de quem se ausenta,
abandona a viuvez, 
para adentrar o átrio do bom viver.
meus olhos não estarão olhando os olhos dos que me rodeiam...
com as pálpebras levemente abaixadas, 
estarão como quem vaga em busca do infinito...
como quem sonha com o lume das estrelas...
ou simplesmente ouve uma bela sinfonia...
ainda serão os mesmos olhos sonhadores...
porém calados.


Quando a vida se extinguir dentro dessas minhas veias pulsantes...
terei adentrado inteira no mar com minhas águas doces, que passaram por esta vida sulcando a terra, deslizando sobre seixos; 
para morrer de encontro às estas águas salgadas de  lágrimas.


Deixarei rabiscado nas paredes todas por onde passar, versos e trovas em teu louvor...
nas nuvens que hão de chorar pela minha partida, deixarei seu nome gravado em flocos gigantes, para que o mundo veja quão belas foram as prosas que juntei nesse mosaico onde ele estará a  figurar.


Deixarei para ti, meus canteiros de sonhos cultivados com carinho...
deixarei lembranças soltas em muitas páginas do meu diário, abarrotado de ilusões...
inúmeras canções compostas em tantas noites de esperanças, de juras..
muitos mistérios gravados com letras douradas...
que só por ti serão decifrados.


Quando a vida, esquecer
 que eu existo, e me atirar no vale dos adormecidos...
irei semear meus sonhos em outros jardins...
passear por outras primaveras.


Deixo contigo a minh´alma; essência de mim...que não poderá seguir sem a cumplicidade da tua...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Entre o santo e o profano




Canta serestas para mim, enquanto ainda me visto de luar, dedica-me teus versos enquanto me tens pálida sob a luz dos teus castiçais.
É tão pouco o que tenho, é tão frágil o tempo lá fora; se soubesses que em cada volta do ponteiro me afasto quase sem volta.
Em águas densas e tensas me arrasto mar adentro, sem atóis e sem ilhas; a vida em mim naufraga.
Nem que me dissecasses em versos e prosas,  entenderias minha natureza distante, exuberante, excitante, hesitante; não mergulharias nas minhas águas, porque jamais entenderias a profundidade do meu ser, nem saberias identificar ou enfrentarias a dualidade da minha essência.
Em comunhão com a natureza que se agita na minha essência, me pego por vezes aflita, entre águas e fráguas, me acomodo entre uma e outra, não sem sair de um estado para o outro transbordada ou em chamas; eis que comungo comigo, não sem antes sofrer o impacto das mudanças contínuas e tão rápidas.
Fala-me dos teus campos, dos teus sonhos, aflora em mim as tuas lembranças, apascenta as minhas ânsias para que entre águas revoltas e labaredas eu encontre um terno descans, doma meus mares, cerca as chamas que me invadem, dá-me pouso para o corpo e espírito em eterna confusão.
Não espero que cavalgues nas crinas furiosas da minha natureza que abusa, não conto com o dia que hás de te acender nas entranhas dessa fogueira que me lambe o céu porque só sei sorrir com as espumas brancas que beijam meus pés, mas hei de partir no ventre dessa imensidão que me batiza e me engole.
Me dê coisas simples e pequenas, delicadezas de gestos, miudezas de certezas; ando sem fôlego me cansei dos bramidos, me reviro em gemidos pelo arrasto da dualidade que me consome, queimo no inferno das minhas angústias e desejos e me afogo na densidade da minha profundidade.
Caminho entre o santo e o profano, me quero anjo e me quero demônio; 
me batizo nos becos da minha castidade e me puno nas impurezas da minha sinceridade.
Hei de voltar ao centro da terra; berço da minha natureza e só no repouso da terra, hei de acalmar minhas guerras.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Abraço






Cerca-me com abraços, há dentro desse laço apertado uma necessidade imensa de sentir o calor não só do corpo, mas da alma...
Cerca meu corpo com braços firmes, guarda-me em silêncio dentro desse abraço que tanto diz ao meu corpo, à minha alma atribulada...
Deixa que eu mergulhe por inteiro dentro desse abraço, sem perguntas... 
Deixa que eu cerre o olhos e só sinta o pulsar dos nossos corações, que eu sinta o  sangue correr agitado... acolhe-me, até que eu fique em paz.
Que eu perceba na pele a irrigação dos vasos e de olhos fechados perceba o riso feliz nos nossos lábios emudecidos...
Mesmo que quisesse explicar a magia e o sentimento que inunda-me nessa hora, não encontraria palavras...e para que explicar, se é só mesmo pra sentir...
O mundo para nesse abraço, nem os ponteiros importam, tudo fica dispensável diante da infinidade que se eterniza nesses poucos instantes...
Que tudo mais espere; enquanto eu permanecer contida entre esses braços, a vida fica solta, as almas também se estreitam como os corpos, em pactos silentes...navegam as emoções num mundo de segundos preciosos...
Fecha os olhos e me abraça novamente...sinta minha vida aportada no seu regaço...sinta a minha vida menina sorrindo, sabendo-se amada sem censura, sem questionamentos...sinta minha alma passarinha reconhecendo a doçura do ninho...
Fecha os olhos e deixa que eu voe nessa hora, presa nos seus braços, para ganhar o mundo com a liberdade que ninguém pode me tomar...
Fecha os olhos e sinta-me...estarei dentro do seu abraço sempre que fechar os braços ao redor do seu corpo...sei que vai me buscar dentro deles...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Renovando os móveis

Continuando a renovar os móveis, as etapas da mesa:


Aqui com os pés já pintados e lixando a fórmica:




Aí depois de pronta ficou assim:




Todo o conjunto ( mesa e cadeiras ) pronto ficou assim:




Aprovadíssimo por todos.