Meu diário de bordo

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

indulto


a hora nona que tece o negro manto,
cobre a carne vestida de espanto;
é um quarto de tempo onde habita a razão,
o sentido desligado da emoção
nessa cela que até as paredes oram
e pouco se vê os olhos que choram.
nem a chave mestra incontrolável
alcança os ponteiros ou cabe no ferrolho,
há um vagido reprimido, indelével
que escorre em poesia e prece; um em cada olho.


não se fecha em desuso como rara,
mas dorme no silêncio que em si apara;
sei que arde como brasa encoberta
revirada nas luas por ela desperta.
não importa se o manto é fiado de segredos,
a cada um cabe os seus próprios medos,
mas se a hora nona se evidencia
há de ser pela procela que principia,
não se pode esconder vendavais cortantes
desarmonia febril de delirantes;
quando tudo é erigido em culto
para merecer unicamente um indulto.

2 comentários:

Maria Muadiê disse...

Angélica, querida, Verônica já tem dono lá na rifa. POr favor, escolha outro. beijos
Martha

Clóvis Campêlo disse...

Belo, poetisa!