Meu diário de bordo

sexta-feira, 17 de abril de 2009

slow motion
Angélica T. Almstadter
15.04.09

no ponto exato da pulsação
uma exclamação
e uma pergunta ficou no ar:
quanto vale esse tempo indeciso?
serei eu a pedra do altar
ou a pedra no caminho?

contida pela força
desacelero aos poucos;
não me acho, não me vejo
e não sinto o que me abraça
não há senão uma esperança
que bate descompensada
uma chama oscilante
que pisca e não se apaga
que não morre, nem se apruma

os dias se seguem obstinados
enquanto eu que não me habito,
assisto o tempo que me embaraça
nas horas que em mim se embaçam
na batida do carrilhão apressado

tenho pressa de viver
medo de adormecer e ver a vida se extinguir
nos meus braços vazios
sem ao menos ter vivido
a cota que me é devida,
conto os minutos dentro das horas
nas marcas da minha pele
nos fios do meu cabelo
que sem licença adoecem

desacelera coração
há muita vida dentro dessas artérias
muita horas dentro da ampulheta
infinitos trilhos nesse túnel
e muita emoção a ser embalada
por esses meus braços ansiosos

2 comentários:

IVANCEZAR disse...

Angélica:

Dei falta de voce e de seu ícone no meu BLOG ...
Aqui visitando suas belas metáforas e espero que não tenha se retirado do meu Blog, pois voce é muito especial !
um beijo

Nydia Bonetti disse...

Angélica
Queria ter escrito este poema... Diz tanto de mim. Mas eu jamais escreveria assim, tão bem, com tanta emoção e lucidez, como você escreve. Bonito demais...
beijos