Meu diário de bordo

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Venialidade
Angélica T. Almstadter
10-10-07


Maldita alma prenhe de paixão,
Que na antesala do coração se omite
E deixa ansiosa escapar-lhe a razão.
Em que dor se enrodilhou sozinha?
Maldita seja a ilusão que assim permite!

Não é o corpo que a alma cinge,
Seria como se a morte antecedesse a vida.
Cunha na carne o fogo da agonia,
Para que sobre o altar adormeça
Aquela que abraçou a vestal.

Dispa-se do furor da língua
Sem segredos , sem melancolia.
Segrega do corpo toda a cobiça;
Pois à mesa o vinho banha o pão que míngua,
Antes da comunhão de cada dia.

Maldita insurreição anunciada,
Vigorosa prova de fraqueza,
Que serve em cultos a carne vil;
Enquanto adoenta a sobriedade do espírito.

Rasga a pele com palavras amargas,
Mata a sede com penitências duras.
No mais profundo escuro da alma
A vida pulsa límpida e pura,
Servil e solitária como deve ser.

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